CLT ou PJ: quanto você ganha de verdade em 2026
Atualizado em · tabelas vigentes em 2026
Comparar o salário líquido do CLT com o faturamento do PJ é o erro que distorce essa decisão. O CLT tem 13º, férias com um terço e FGTS — dinheiro que não aparece no contracheque do mês. Um salário de R$ 8.000,00 equivale a R$ 8.141,12 por mês quando você soma tudo.
Calculadora comparativa CLT ou PJ 2026
O valor registrado em carteira.
VR, VA, plano de saúde.
O valor da nota fiscal.
Use a calculadora do Simples para a sua.
Honorários do contador.
Reduzem o IRRF na CLT.
O cálculo é feito no seu navegador — nenhum dado é enviado para nós.
Como chegamos nesse número
| Etapa | Como é calculado | Valor |
|---|---|---|
| CLT — líquido do mês | R$ 8.000,00 menos INSS e IRRF | R$ 6.040,64 |
| CLT — 13º líquido | tributado separadamente | R$ 6.040,64 |
| CLT — férias + 1/3 | R$ 10.666,67 bruto | R$ 7.925,70 |
| CLT — FGTS no ano | 8% sobre 12 salários | R$ 7.680,00 |
| CLT — benefícios no ano | R$ 800,00/mês | R$ 9.600,00 |
| CLT — total no ano | — | R$ 97.693,38 |
| PJ — faturamento do mês | — | R$ 12.000,00 |
| PJ — imposto | alíquota efetiva de 6,00% | -R$ 720,00 |
| PJ — contabilidade | honorários mensais | -R$ 300,00 |
| PJ — INSS e IRRF do pró-labore | sobre R$ 1.621,00 | -R$ 178,31 |
| PJ — total no ano | — | R$ 129.620,28 |
O erro que distorce toda comparação
Quase toda comparação entre CLT e PJ coloca o salário líquido de um lado e o faturamento do outro. São grandezas diferentes, e o resultado sempre favorece o PJ — porque metade da remuneração do CLT não aparece no contracheque do mês.
Um salário de R$ 8.000,00 rende R$ 6.040,64 líquidos por mês. Mas no ano entram também o 13º (R$ 6.040,64 líquidos), as férias com o terço constitucional (R$ 7.925,70) e o FGTS (R$ 7.680,00 depositados). Com R$ 800,00 de benefícios, o total anual chega a R$ 97.693,38 — uma média de R$ 8.141,12 por mês.
Essa é a régua correta. E é sobre ela que a pergunta prática se responde: quanto preciso faturar como PJ para ficar igual?
O que sai do faturamento do PJ
Do outro lado, o valor da nota fiscal também não é o que entra na conta. No exemplo, R$ 12.000,00 de faturamento viram R$ 10.801,69 depois de:
- Imposto do Simples — R$ 720,00 com alíquota de 6%. Cresce conforme o faturamento sobe de faixa.
- Contabilidade — R$ 300,00 por mês, um custo fixo que não existe na CLT.
- INSS sobre o pró-labore — 11% sobre a retirada, que parte do salário mínimo de R$ 1.621,00.
E há o que o cálculo não mostra: o PJ precisa provisionar por conta própria o equivalente às férias e ao 13º, além de uma reserva para períodos sem contrato. A prática comum é separar entre 20% e 25% do faturamento.
O número que importa na negociação
A calculadora mostra o faturamento equivalente: quanto você precisa cobrar como PJ para ter a mesma remuneração anual da CLT. No exemplo, um salário de R$ 8.000,00 com benefícios equivale a R$ 9.169,61 de faturamento mensal.
Esse é o piso da negociação, não o alvo. Abaixo dele, a migração para PJ é perda financeira disfarçada de aumento. Acima, começa a compensar — desde que os fatores não financeiros também fechem.
O que não cabe na conta
Números resolvem parte da decisão. O resto não é calculável:
- Estabilidade. O CLT tem aviso prévio, multa de 40% do FGTS e seguro-desemprego. O contrato PJ costuma ser rescindível a qualquer momento.
- Previdência. Ambos contribuem, mas o PJ que retira o mínimo se aposenta pelo mínimo. Contribuir mais é escolha — e custo.
- Risco de inadimplência. Salário atrasado tem proteção legal forte; nota fiscal não paga vira cobrança judicial.
- Reconhecimento de vínculo. Se a relação PJ tiver pessoalidade, habitualidade e subordinação, a Justiça do Trabalho pode reconhecer vínculo empregatício, com encargos retroativos para a empresa.
- Previsibilidade. Faturamento variável exige disciplina de reserva que salário fixo não exige.
Erros comuns
- Comparar líquido com faturamento. O erro campeão — ignora quase 30% da remuneração do CLT.
- Esquecer o FGTS. São 8% ao mês que ficam no seu nome, mais a multa de 40% na demissão sem justa causa.
- Ignorar o custo fixo do PJ. Contador e DAS existem mesmo em meses sem faturamento.
- Usar a alíquota nominal do Simples. A efetiva é menor — a calculadora do Simples Nacional mostra a sua.
- Não provisionar férias. PJ que não separa reserva trabalha o ano inteiro sem parar.
Perguntas frequentes
Como comparar CLT e PJ corretamente?
Some tudo que o CLT recebe no ano — os 12 salários líquidos, o 13º, as férias com um terço, o FGTS depositado e os benefícios — e divida por 12. Do lado PJ, subtraia do faturamento o imposto do Simples, os honorários do contador e o INSS sobre o pró-labore. Só assim as duas grandezas ficam comparáveis.
Quanto preciso faturar como PJ para ganhar o mesmo que na CLT?
Depende do salário e da alíquota do seu anexo, mas a regra prática é faturar entre 30% e 40% a mais. No exemplo desta calculadora, um salário de R$ 8.000,00 com R$ 800,00 de benefícios equivale a faturar cerca de R$ 9.169,61 por mês como PJ. A calculadora mostra esse valor automaticamente.
O FGTS conta como parte do salário?
Sim, é dinheiro que fica no seu nome, mesmo com acesso restrito. São 8% do salário depositados todo mês pela empresa, mais o rendimento anual e a multa de 40% em caso de demissão sem justa causa. Ignorar isso na comparação subestima o CLT em quase um salário por ano.
Quais custos o PJ tem que o CLT não tem?
Imposto sobre o faturamento (o DAS do Simples), honorários de contabilidade, INSS sobre o pró-labore e, se quiser equivalência real, uma reserva mensal para cobrir férias e um período sem contrato. Some ainda plano de saúde, que na CLT costuma ser benefício da empresa.
PJ tem direito a férias e 13º?
Não. São direitos trabalhistas do vínculo empregatício, e o PJ presta serviço por contrato civil. Quem vai para PJ precisa provisionar por conta própria — a prática comum é reservar algo entre 20% e 25% do faturamento para férias, 13º equivalente e imprevistos.
Vale a pena ser PJ ganhando pouco?
Raramente. O PJ tem custos fixos que não diminuem com o faturamento: contador, DAS mínimo e INSS sobre o pró-labore, que parte do salário mínimo de R$ 1.621,00. Em faturamentos baixos esses custos consomem uma fatia grande da receita, e a proteção do CLT — FGTS, seguro-desemprego, estabilidade — costuma pesar mais.
A pejotização é legal?
Contratar PJ é legal quando a relação é realmente de prestação de serviço entre empresas. Se houver pessoalidade, habitualidade, subordinação e salário fixo, a Justiça do Trabalho pode reconhecer vínculo empregatício, com todos os encargos retroativos. O tema tem sido discutido no STF e a jurisprudência não é uniforme — vale orientação jurídica antes de migrar.